R.Magnago critical thinking
23 de novembro de 2024 6 min de leitura

A IA será um divisor de águas nos países em desenvolvimento?

Rodrigo Magnago

Membro do Fast Company Impact Council • CEO na RMagnago

Fast Company Impact Council

Publicação na Revista Fast Company

Este artigo foi originalmente publicado na coluna de Rodrigo Magnago na revista Fast Company.

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Publicação Original em Inglês

Disponível no texto original ou traduzido para o português

Para ler este texto e suas proposições, o leitor deve aceitar duas inferências como verdadeiras:

A primeira é que utilizar IA envolve a aplicação de métodos estatísticos para identificar padrões, propor hipóteses (preditivas ou generativas), simular e estimular cenários — visando resolver problemas relevantes por meio de inovação incremental ou estrutural.

A segunda é que a maior parte das questões coletivas compartilha a necessidade do papel do Estado na regulação, mediação ou participação direta em sua resolução.

O Desafio dos Países em Desenvolvimento

Países em desenvolvimento possuem um ambiente mais fragmentado devido a democracias ainda em consolidação, o que eleva a incidência de conflitos de agência (principal-agente). Os tomadores de decisão muitas vezes agem com pouca responsabilização e baixa coordenação.

Nessas nações, o setor público desponta como o maior empregador e oferece benefícios que o setor privado não consegue igualar, gerando distorções de propósito e barreiras burocráticas nas transações com a iniciativa privada.

Dados Fechados nas Organizações

Os desafios começam já nas etapas mais básicas de adoção da IA: a aquisição de dados. Estruturados ou não, transacionais ou contextuais, esses dados estão trancados em empresas, órgãos reguladores ou associações setoriais.

Tome o Brasil como exemplo. Muitas associações empresariais são jovens e possuem dados desorganizados, enquanto a maioria simplesmente não os tem. O ambiente institucional fragmentado dificulta a compreensão das políticas públicas e a formulação de estratégias corporativas de longo prazo.

Fragmentação de Dados e Casos Práticos

As empresas possuem dados, mas muitas vezes não sabem como utilizá-los, e a fragmentação entre pequenas empresas torna a tarefa economicamente inviável sem uma consolidação setorial.

Na ReRe, investigamos dados em operações agrícolas em busca de insights para formulação de hipóteses melhores, com foco atual em resíduos sólidos e circularidade.

Nosso dia a dia é altamente complexo: precisamos convencer diversos atores da cadeia a compartilhar dados que muitas vezes eles têm, mas não querem disponibilizar, ou dados que sequer conseguem coletar e transformar. Navegamos por corredores corporativos, órgãos de fiscalização agrícola, câmaras legislativas, prefeituras e iniciativas ESG públicas e privadas.

A Análise de Dados Gerando Soluções

É igualmente desafiador convencer os tomadores de decisão a agir com base nessas informações, incentivando soluções que beneficiem o coletivo.

Nossos resultados iniciais comprovam o valor desse esforço: revelamos problemas até então invisíveis. Por exemplo, identificamos que embalagens usadas para defensivos agrícolas e fertilizantes — muitas delas prejudiciais à saúde humana e animal — foram encontradas sendo reutilizadas no transporte de alimentos para consumo humano.

Soluções para esses desafios surgirão de modelos computacionais modernos combinados à cooperação comunitária e setorial. O verdadeiro diferencial competitivo não será apenas o algoritmo, mas as competências comportamentais necessárias para gerenciar a variabilidade e as externalidades desses ecossistemas.

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